segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mais Livros! - JUN/2016



Este mês trouxe títulos bastante desejados para a minha estante. Como sempre, é claro rsrsrs! Mas o que me deixou mais feliz foi finalmente ter conseguido (depois de muito tempo garimpando) uma tradução da obra mais famosa do francês Xavier de Montépin, um gênio do folhetim policial no século XIX. Trata-se de La Porteuse de Pain (1884-1887), que foi um grande sucesso até meados do século passado, passando por várias adaptações, seja para o cinema, teatro, quadrinhos e até novelas radiofônicas. O curioso é que a obra do Montépin aparecia com títulos diferenciados: A Entregadora de Pão, A Padeira, Os Milhões do Criminoso, todas traduzidas ou adaptadas do mesmo original já citado. O grande êxito da novela radiofônica Jeanne Bertier, reprisada várias vezes no Brasil, fez com que a Editora Brasil lançasse (talvez nos anos 50) o romance de Montépin com o título O Romance de Jeanne Bertier. O que não entendi foi por que a adaptação radiofônica alterou o nome da protagonista, que no original é Jeanne Fortier. Vá entender!? O bom é que, de um jeito ou de outro, finalmente obtive um exemplar desse livro que era um dos meus sonhos de consumo rsrsrs. Se não o ler ainda este ano, lerei no próximo com certeza! O livro tem mais de 600 páginas, com letra pequena... Cotejei com o original francês e a tradução me pareceu completa! Depois da experiência Os Mistérios de Paris, ainda estou meio traumatizado rsrsrs.

Outra obra que já pode ser considerada rara é O Livro Apócrifo de Dom Quixote de La Mancha, de Alonso Fernadez de Avellaneda, que a editora Itatiaia lançou em 1989. Adquiri a versão em capa dura, com sobrecapa e ilustrações. Nunca ouvi falar de outra tradução do Quixote apócrifo; por isso, acredito que essa do Eugênio Amado tenha sido a única. É o tipo de livro que se busca, a título de curiosidade mesmo! Só tomei conhecimento que existia um D. Quixote apócrifo depois que adquiri a edição da editora 34. Publicado em 1614, entre as publicações do primeiro e segundo livros legítimos do Cervantes, a obra de Avellaneda pretendia antecipar as prometidas novas aventuras do cavaleiro da triste figura. Alguns críticos afirmam que se Cervantes nunca houvesse publicado o verdadeiro Quixote, a obra de Avellaneda seria considerada uma obra-prima, uma vez que a mesma possui qualidades inegáveis. O curioso é que nunca se descobriu de fato quem se escondia por trás desse pseudônimo “Avellaneda”.

Essas duas aquisições foram as mais festejadas do mês; por isso, empolguei-me um pouco falando delas. Serei mais sucinto com as demais. Prometo! rs.

Do inglês Charles Dickens, adquiri Grandes Esperanças, tão elogiado pelos fãs de Dickens. A edição é daquela coleção de clássicos da editora Abril, pulicada em 2010, com capas em tecido. Não tinha nenhum livro dessa coleção e fiquei encantado com a qualidade e com o apêndice suplementar. Não é um David Copperfield da Cosac, mas é muito bonito também. Tava pensando aqui... É uma pena a Cosac não ter lançado Oliver Twist, nos moldes de David. Já pensou? Seria tudo de bom. Estou sofrendo pra achar uma edição decente. Alguma sugestão?

Adquiri há algum tempo uma edição portuguesa denominada Teatro de Tirso de Molina, que continha a peça que procurava: O Sedutor de Sevilha, obra em que aparece, pela primeira vez na Literatura, o mito de D. Juan. A edição, contudo, não trazia a obra mais célebre do autor: Don Gil das Calças Verdes, que finalmente obtive em edição da Ediouro. De Bernard Shaw, por outro lado, não tinha nada. Depois que assisti, na faculdade, aquele filme clássico My Fair Lady (1964), fiquei curioso para ler a obra que o inspirou. Tratava-se de Pigmalião, obra teatral de 1913. Acabei optando por uma edição de 1971 da editora Opera Mundi, que além de trazer Pigmalião, contém a peça Santa Joana (1923), obra que rendeu a Shaw o Prêmio Nobel em 1925. Só não fiquei totalmente satisfeito porque o Pigmalião desta edição está adaptado (tradução e adaptação de Miroel Silveira). O tradutor explica os motivos da adaptação, citando as questões de fonética do inglês que compreendem o assunto da peça. De fato, somente um falante daquela língua, poderia absorver perfeitamente o conteúdo da peça de Shaw. Sei que existe uma tradução do Millôr Fernandes, pela L&PM, que dizem ser bastante fiel, mas que também não se isenta do processo de adaptação, pelos mesmos motivos.

Passemos para Émile Gaboriau, o francês criador do detetive Lecoq, considerado o pai de Sherlock Holmes e avô de Hercule Poirot. Conheci esse pioneiro do romance policial, graças à “Coleção Saraiva”, que publicou em 1961 O Caso Lerouge, primeiro livro com o detetive Lecoq. Depois, quando adquiri a “Coleção Cinzenta” (da mesma Saraiva), obtinha Monsieur Lecoq, outro romance com o mesmo detetive. Só então percebi que Gaboriau criara uma série de romances com Lecoq. Foram 10 livros ao todo, cada um com seu caso independente. Leria os 10 com prazer, mas, ao que parece, só três foram traduzidos no Brasil: os dois já citados e O Mistério de Orcival, lançado pela Nova Fronteira em 1976. Este último foi o que adquiri este mês. Pretendo lê-los em ordem cronológica.

Obtive também o best-seller As Minas de Salomão, do inglês Rider Haggard, na famosa tradução de Eça de Queirós. Nem preciso dizer que o contato com a obra do Eça foi o que me apresentou e me motivou a comprar esse livro. Da saudosa Cosac Naify, adquiri Bambi, de Felix Salten; e como não resisto a uma sequência, desenterrei uma já raridade também: Os Filhos de Bambi, numa edição detonada (mas legível) rsrsrs da editora Melhoramentos. Sobre o Bambi da Cosac, nem preciso dizer que é lindo, né? A edição possui capa em tecido, folha de guarda com recortes de fotografias do filme da Disney, e ilustrações de Nino Cais.

Passando para os brasileiros, mesmo sendo bastante averso a antologias, adquiri uma que me pareceu bastante necessária possuir em meu acervo. Trata-se de Os Precursores do Conto no Brasil (Civilização Brasileira, 1960), organizada por Barbosa Lima Sobrinho. Esta relíquia reúne contos que compreendem as primeiras tentativas de se fazer prosa de ficção no Brasil, como A Paixão dos Diamantes, de Justiniano Rocha; A Mãe-Irmã, de Paula Brito; e outras 24 narrativas pioneiras do gênero “conto” no Brasil. Adquiri a tão desejada Obra Completa de Afonso Arinos, de 1968. Pretendo ler Pelo Sertão urgentemente! E da queridíssima Rachel de Queiroz, nossa ilustre cearense, adquiri João Miguel. Pouco a pouco, vou reunindo as obras dela, das quais só não pretendo obter as coletâneas de crônicas.

Daniel Coutinho

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