quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Luxo e Vaidade, de Joaquim Manuel de Macedo - RESENHA #110

Há muito que aprecio a prosa do Dr. Macedinho e, de fato, já tenho lido quase uma dezena de seus numerosos romances. Desejava, contudo, aventurar-me por sua obra teatral, igualmente vasta, até que o momento finalmente chegou.

Luxo e Vaidade (1860) certamente não foi a escolha mais acertada para travar relações com o Macedo dramaturgo, para mim que, conhecedor da prosa romanesca do autor d’A Moreninha, não foi difícil reconhecer certos ingredientes já aproveitados em obras anteriores. Trata-se de uma comédia em cinco atos que me pareceu uma mistura de O Moço Loiro, Rosa e Vicentina.

Maurício é um funcionário público que, seduzido pelo luxo e pela vaidade, acaba sacrificando seu capital, atendendo às exigências e caprichos de sua esposa Hortênsia e sua filha Leonor. Iludido pelo status que lhe confere a sociedade, Maurício despreza seu irmão Felisberto, um humilde marceneiro, como também seu sobrinho Henrique, um jovem pintor.

Os pais de Leonor, vendo-se ameaçados por incontáveis dívidas, pretendem casá-la com o comendador Pereira, na tentativa de preservar as aparências. Será Anastácio, rico fazendeiro e irmão mais velho de Maurício, quem intervirá na situação, uma vez prevenido dos sentimentos de sua sobrinha pelo primo Henrique, como também das más intenções de dona Fabiana, que conserva antigos rancores desta família.

A trama, como já disse, não apresenta novidades a quem porventura tiver lido os romances supracitados. Não tinha como não lembrar de Hugo planejando o casamento de Honorina com Otávio em O Moço Loiro; das investidas malignas de uma outra dona Fabiana em Vicentina; e da intervenção providencial de um outro Anastácio em Rosa. Nos dois últimos casos, Macedo parece ter aproveitado propositalmente os mesmos tipos, sem tirar nem pôr.

É provável mesmo que a intenção de Macedo com Luxo e Vaidade fosse levar as histórias de seus romances ao grande público de brasileiros não alfabetizados. A construção da peça, como sua organização cênica, estão bem realizadas e oferecem um divertido entretenimento aos espectadores. Assinalo, contudo, os discursos prolongados nas falas de alguns personagens que, a meu ver, suspendem o interesse pela trama.

Avaliação: ★★★

Daniel Coutinho

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