quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O Primo da Califórnia, de Joaquim Manuel de Macedo - RESENHA #111

A segunda peça que li de Macedo, O Primo da Califórnia (1855), causou-me bem melhor impressão. Trata-se de uma ópera em dois atos, inspirada livremente na comédia L'Oncle d'Amérique, do dramaturgo francês Eugène Scribe.

Diferente de Luxo e Vaidade, o enredo interessou-me mais, graças às novidades e atrativos da trama. Percebi a mesma leveza da peça anterior, mas com um toque de humor acentuado, como também o caráter artificial da obra, que traz personagens mais caricatos e notadamente teatrais. As músicas insertas na dramatização, associadas ao comportamento afetado dos tipos, confere à ópera certo tom infantil.

Adriano é um pobre músico que está passando por grandes dificuldades financeiras. Além disso, à exceção de sua amada Celestina, todos lhe dão as costas e lhe negam uma oportunidade. Excitado pela bebida, ele acaba inventando a história de que tem um primo rico na Califórnia, de quem será herdeiro universal. Os amigos de Adriano, desejando desforrarem-se da mentira, decidem publicar em vários jornais uma falsa nota sobre o falecimento do suposto primo da Califórnia. A notícia se espalha e a sorte de Adriano muda do dia para a noite, pois todos aqueles que lhe deram as costas tentarão uma reaproximação, interessados na fortuna do novo milionário.

O Primo da Califórnia tem um ritmo bastante agradável que, possivelmente, deve-se realçar em cena. Os diálogos são inteligentes, divertidos e sem as pretensões moralizadoras de Luxo e Vaidade. Adriano ganha facilmente a simpatia do leitor, que nem quando pede à sua altiva criada Beatriz que vá ver se ele está escondido num canto qualquer da casa rs.

No mais, O Primo da Califórnia, não obstante seus exageros, reúne tudo aquilo que o público espera encontrar no teatro: boa história, bom humor e excelente diversão.

Avaliação: ★★★★

Daniel Coutinho

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