quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Amor que Mata, de Visconti Coaracy - RESENHA #84


Visconti Coaracy (1837-1892) é geralmente lembrado pela polêmica que teve com José de Alencar em 1874, graças à adaptação teatral que fez do romance O Guarani, da qual Alencar não recebeu sua parte em direitos autorais. Ninguém contudo se lembra de sua produção ficcional, que se perdeu nas colunas dos vários periódicos para os quais Coaracy colaborou em mais de quarenta anos de vida jornalística.

Em 1873, porém, submeteu uma novelinha sua para publicação num clube de assinatura, Bibliotheca Brazileira, que então estreava. Amor que Mata parece não ter interessado o público, sofrendo a condenação de tornar-se uma referência obsoleta. Cabia a mim desencavar essa história do esquecimento rs.

O romancete de Coaracy, tal como A Corveta Diana, é visivelmente influenciado pela pena do Dr. Macedinho, mas sem os atributos imaginativos de Hoonholtz. Trata-se de uma historinha inevitavelmente fadada ao esquecimento instantâneo. Talvez funcione como passatempo, mas daqueles que não se podem levar a sério mesmo, e que se leem pela falta de coisa melhor, ou por pura obstinação, o que é o meu caso rs.

No enredo, temos Luiz, um protagonista desiludido com o amor. Após pôr em dúvida as qualidades físicas e morais de Isabel, jovem viúva, esta decide vingar-se alimentando uma paixão ardente no jovem mancebo. Isabel, que também ignorava o amor, acaba apaixonada pelo insolente moço que, convencido dos belos atributos da viúva, está disposto a conquistá-la, mas o orgulho de ambos poderá levá-los a um destino infeliz e fatal.

A experiência jornalística do autor é o que acaba lhe valendo em sua narrativa sensaborona. Sua escrita é inegavelmente fluente e bem delineada, faltando-lhe no entanto verve suficiente para desenvolver uma boa trama. Até mesmo a estrutura do livro, cujos capítulos compreendem uma sequência de episódios ligeiros, é interessante, até o momento em que se depara com um enredo deficiente e problemático.

O narrador, que não soube se haver com os protagonistas, embananou-se de verdade com os personagens secundários, precipitando a relação amorosa entre Pedro e Eulália, além de sugerir um destino fatal a um personagem tão pouco lutuoso como o Sr. Dolby.

Desconfio que Coaracy tenha pago um favor ou mesmo uma dívida com seu Amor que Mata, já que não lhe pude reconhecer qualquer intenção artística. Talvez só quisesse entregar uma historinha de oitenta páginas (sabe-se lá com que fim) a um desses editores desleais que mal sabem o que publicam. Uma pena! O delineado de sua frase poderia ter lhe rendido mais... ou não rs?

Avaliação: ★★

Daniel Coutinho

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