sábado, 6 de julho de 2019

Macbeth (The Tragedy of Macbeth), de William Shakespeare - RESENHA #103

Acredita-se que a mais curta das tragédias de Shakespeare tenha ido à cena em 1606, sendo publicada apenas em 1623. Macbeth está ainda entre as quatro tragédias mais celebradas do grande bardo inglês.

A peça nos apresenta o grande general escocês Macbeth que, após receber a profecia de três bruxas de que se tornaria monarca, deixa-se levar pela ambição e, persuadido pela mulher, decide assassinar seu primo Duncan, rei da Escócia.

Esse primeiro crime é decisivo no comportamento do personagem que, a partir daí, passa por uma transformação de caráter, deixando-se corromper cada vez mais. Receosos pela própria vida, os filhos de Duncan acabam fugindo da Escócia, sendo por esta atitude encarados como possíveis suspeitos. Mas o temor de Macbeth é que, tal como também mencionado na profecia das bruxas, a linhagem de Banquo, seu companheiro de armas, tome de sua própria linhagem o poder da nação escocesa. Para evitá-lo, o grande general ordena a morte de seu companheiro, como a de seu filho Fleance, mas este último acaba escapando.

Malcolm, filho de Duncan, que acaba descobrindo o jogo do usurpador de seu pai, busca aliados na coroa inglesa para a derrubada do tirano. Macduff e outros nobres escoceses também aliam-se a ele, enquanto Macbeth, apreensivo pelo seu destino e atormentado pelo fantasma de Banquo, recorre às bruxas outra vez para descobrir os perigos que o ameaçam. Fica pois tranquilizado ao ouvir que jamais seria derrotado enquanto a floresta de Birnam não se deslocasse até seu castelo, como também jamais seria vencido por qualquer que fosse parido por mulher. Os artifícios ocultos por essas promessas, no entanto, acabam deixando-o desprevenido sobre os iminentes perigos que poderão levá-lo à ruína.

Devo ter desgostado de Macbeth mais do que de outras tragédias lidas devido ao pouco espaço dado à natureza boa do protagonista antes de sua perversão. Diferente do que ocorre em Hamlet ou Otelo, Shakespeare, talvez pelo pouco espaço dado à peça, não se detém muito nas provas de nobreza de seu protagonista. A ideia que fazemos do general Macbeth, como de sua esposa lady Macbeth, é a de que são seres egoístas e desprezíveis que, movidos pela ambição, são capazes das maiores torpezas.

Ainda que o desfecho da peça tenha sido mais do que justo, seu desenrolar e a feitura de suas cenas não me entusiasmaram tanto quanto as demais obras que já li de Shakespeare, como devo ter transparecido nesta resenha. Não ponho, contudo, em discussão as qualidades literárias de Macbeth. A questão é, como costumo dizer, unicamente de gosto pessoal.

Avaliação: ★★★

Daniel Coutinho

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