Sei que estou atrasado com esta postagem, mas cá
está ela!
No começo deste ano, o “Literatura & Eu”
completou 10 anos de existência. Foram mais de duzentas obras resenhadas por
aqui ao longo do último decênio, e certamente não poderia deixar passar um marco
assim tão importante para o blog sem expressar umas poucas palavras de gratidão:
Gratidão aos livros incríveis que li nesse período,
e obviamente aos autores mais incríveis ainda que os escreveram; gratidão aos
leitores que sempre estiveram por aqui, alguns desde o começo do blog,
acompanhando minhas impressões de leitura, fazendo pequenos e longos
comentários, e me mandando e-mails tão estimulantes e significativos, que
sempre me deram um incentivo extra a continuar compartilhando minhas
descobertas literárias.
Este blog se chama “Literatura & Eu” não por
acaso. A Literatura e eu temos uma história juntos, tal como ocorre com todo
leitor apaixonado. Mas falando aqui da minha história especificamente, gostaria
de enaltecer a importância dessa forma de arte na minha vida. Quando olho pra trás
e penso: “O que teria sido de mim sem a Literatura?”, percebo que este “eu” que
vocês conhecem não existiria. Haveria sim um Daniel, mas tão menos
interessante, tão vazio de espírito, tão incompreensivo com as pessoas, alguém
seguramente muito menos feliz.
A Literatura surgiu na minha vida muito modestamente
na infância, marcou uma presença mais notória na adolescência e fixou-se de vez
à minha existência logo no começo da vida adulta. E tudo isso espontaneamente,
sem influência de ninguém, o que me dá uma dózinha às vezes,
principalmente quando descubro livros que eu teria amado ler na infância/adolescência,
se algum adulto os tivesse me apresentado. Mas, de uma forma ou de outra, cedo
ou tarde, os livros foram chegando, chegando e nunca mais pararam de chegar.
A Literatura esteve comigo nos melhores e nos
piores momentos da minha vida. Para todas as fases, todos os períodos e
momentos marcantes, tenho livros respectivamente associados, atrelados a
lembranças diversas, boas e ruins, tristes e felizes. Querem ver?
Lembro das repetidas vezes que li Chapeuzinho
Vermelho e o Lobo-Guará (Ângelo Machado), primeira leitura de que me
recordo, por volta dos oito anos; aos doze descobri A Hora da Verdade e
comecei uma caça a tudo quanto fosse escrito pelo Pedro Bandeira; Sozinha no
Mundo (Marcos Rey) e A Força da Vida (Giselda Laporta Nicolelis)
foram emprestados pelos meus raros amigos que tinham livros rs; li O Guarani
no ensino médio, e desde então vivo um caso de amor com José de Alencar; A
Ilha Maldita (Bernardo Guimarães), lido na faculdade, atiçou o meu verme
dos livros raros; Éramos Seis (Maria José Dupré) me lembra quando passei
no concurso público; A Intrusa (Júlia Lopes de Almeida) foi um dos
muitos que me fizeram companhia durante uma licença-saúde; A Capital (Eça
de Queiroz) me lembra minha primeira viagem de avião; e vamos parando por aqui,
pois o assunto renderia um livro inteiro rs.
Nem todos os
livros lidos nos últimos dez anos estão resenhados aqui, mas a maioria
certamente está. Também é óbvio que nem todas essas mais de duzentas
experiências foram marcantes e arrebatadoras, e se tem algo de que me orgulho
profundamente é da sinceridade/honestidade com que redigi cada resenha,
enaltecendo os livros que amei, e sinalizando aqueles que me maçaram até não
poder mais rs. Leitura é isso: um universo tão grande, tão vasto, que não dá
pra gostar de tudo, não é mesmo? Cada um tem uma experiência diferente. Mas
quando eu disser que um livro é bom, está dito, viu? rs
O mestrado, que venho cursando desde o ano passado,
tem comprometido minha assiduidade nas resenhas. Mas tudo tem seu tempo, não
acham? Podem ter certeza que, bem antes de se passar outra década, muitas novas
leituras incríveis serão devidamente compartilhadas por aqui, porque enquanto os
livros continuarem conversando comigo, eu terei sempre algo a dizer dessas
conversas.
Daniel
Coutinho
***
Instagram: @autordanielcoutinho

Nenhum comentário:
Postar um comentário