quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Psicose (Psycho), de Robert Bloch - RESENHA #119

É sempre maravilhoso quando temos boas surpresas fora da nossa zona de conforto. É o que eu sempre digo: qualquer gênero pode ser incrível, dependendo de quem o executa. O norte-americano Robert Bloch já é minha primeira descoberta do ano.

Psicose (1959) é amplamente conhecido graças ao cultuado filme de Hitchcock, que eu felizmente não tinha assistido. Isso certamente contribuiu para instigar minha curiosidade durante a leitura do romance. Mas o texto de Bloch é tão cheio de sutilezas, que, penso, filme nenhum poderia ombreá-lo.

Um escritor de talento não carece unicamente de um bom argumento, como de fato nos oferece o enredo de Psicose. É preciso uma boa técnica de condução da narrativa, a criação de um estilo ou de uma atmosfera que ponham o leitor em conexão com a trama e seus personagens. Há diversas estratégias para alcançar esse tipo de realização. O caminho escolhido por Robert Bloch foi pois o da linguagem: o esmero de seu texto, certamente melhor disposto no original, chama atenção pelo cuidado e zelo com que foi desenvolvido.

Apesar das muitas qualidades de Psicose, não deixa de ser verdade o fato de que a leitura do livro, ignorando-se todos os pormenores da trama, torna-se muito mais interessante, observação válida para qualquer obra de suspense. De todo modo, tentarei apresentar um breve resumo, a fim de deixá-los mais inteirados do que se trata.

Norman Bates é um quarentão que, ainda solteiro, vive na companhia de sua mãe, uma senhora idosa a quem pertence o Bates Motel, dirigido pelo filho. Eles vivem sozinhos e têm uma relação um tanto conflituosa, pois a mãe de Norman, bastante dominadora, exerce uma forte pressão psicológica sobre o filho que, introvertido e recluso, dedica-se basicamente à leitura de livros sobre ocultismo.

Numa noite chuvosa, Mary Crane, após ter errado o caminho que seguia, decide hospedar-se no Bates Motel. Ela trabalhava para uma firma de corretagem, de onde roubou quarenta mil dólares, com os quais pretendia saldar as dívidas de Sam, seu namorado. Usando um nome falso, ela faz seu registro, pretendendo encontrar Sam no dia seguinte, mas desde então nunca mais é vista.

Lila Crane, a irmã de Mary, decide procurar Sam, que de nada sabia. A firma para a qual Mary trabalhava contrata um detetive, o senhor Milton Arbogast, que convence Lila a não dar parte às autoridades do desaparecimento da irmã, evitando assim um escândalo e a prisão de Mary. Porém, durante as investigações, Arbogast também desaparece. Tudo leva a crer que a chave do mistério está no Bates Motel, mas Lila e Sam não têm como prová-lo.

A narrativa de Psicose é de um ritmo eletrizante, daqueles que levam a gente a ler alguns capítulos a mais do que o pretendido. Trata-se de uma leitura inevitavelmente rápida por vários motivos: qualidade do texto, construção da trama, psicologia dos personagens, além de recursos eficientes que mantêm o suspense e a curiosidade do leitor.

O autor escreveu ainda duas sequências para a trama: Psycho II (1982) e Psycho House (1990), que infelizmente ainda não ganharam tradução para o português. Não sou muito otimista em relação a continuações, mas admito que adoraria ler algo mais do senhor Robert Bloch. Alguma sugestão?

Avaliação: ★★★★★

Daniel Coutinho

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